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16 de Julho de 2018

IO-LINK | O QUE É E PARA QUE SERVE | PARTE 2

No primeiro artigo "IO-Link | O que é e para que serve | Parte 1" falamos de como o IO-Link pode e deve ser utilizado para substituir sensores analógicos e porque essa alternativa é vantajosa. Neste artigo, falaremos do segundo nível de integração com esta tecnologia. O foco aqui será o ajuste e diagnóstico remoto e a (re)configuração automática de dispositivos.

Como os equipamentos que possuem IO-Link são smart devices, é possível visualizar informações e fazer configurações de maneira remota, através dos Mestres IO-Link. A maioria dos fabricantes destes Mestres fornecem um software que permite o ajuste de parâmetros de maneira remota, por exemplo o PactWare da Turck, Pepperl+Fuchs, IFM e SICK, o IO-Link Device Manager da Balluff, o Studio 5000 da Rockwell, o S7-PCT for IO-Link Master da Siemens, entre outros. Estes softwares utilizam os IODDs (IO Device Description, ou descrição de dispositivo de entrada e/ou saída, em tradução livre) para permitir a fácil visualização e ajuste de dados e parâmetros dos dispositivos. A leitura destes dados através destes softwares é feita sob demanda, ou seja, é preciso solicitar a escrita ou leitura dos dados pelo software.

Estes dados são divididos em 3 grupos:
 
  • Identificação, onde se encontram os dados do fabricante e do dispositivo, além de uma tag para identificar a aplicação em que o mesmo está sendo utilizado;


 
  • Parâmetros, onde se encontram os ajustes que o sensor permite que sejam feitos. É possível ler e escrever (quase todos) estes dados;


 
  • Diagnósticos, onde é possível verificar como está se comportando o sensor e ver dados como temperatura, tempo de uso, etc. Em diagnósticos pode ser possível também ajustar algumas configurações;



Além destes grupos, os dados de processo também são coletados pelos softwares:



Grande parte destas configurações dos dispositivos IO-Link pode ser armazenada de forma que, quando ocorra uma troca de dispositivo, as mesmas configurações sejam feitas no novo dispositivo, sem que haja qualquer interferência humana. Em geral, este armazenamento é feito no próprio mestre IO-Link, com algumas exceções sobre as quais falaremos mais adiante. Normalmente, existem 3 modos de operação em se tratando de reconfiguração automática:
  • Modo desabilitado, onde não são salvos valores das configurações dos dispositivos;
  • Modo de leitura, onde todos os dados do dispositivo são armazenados no mestre para serem posteriormente escritos no novo dispositivo;
  • Modo de sobrescrever, onde todos os dados do mestre são escritos no dispositivo quando ele é conectado. Este modo é utilizado após a configuração inicial (no modo Leitura), quando se deseja fazer a reconfiguração automática dos próximos dispositivos;

O Studio 5000, da Rockwell, é uma exceção muito bem sucedida, pois armazena as configurações dos dispositivos no próprio CLP, ao invés da remota. A vantagem? Caso seja necessário substituir a remota, os valores salvos não se perdem. Esta alternativa se dá através do chamado IODD Advanced, e está disponível apenas para os produtos Rockwell e para alguns parceiros estratégicos.



Uma iniciativa similar está sendo proposta pela Turck, através do Simple IO-Link Device Integration - SIDI - integrado ao Profinet. É uma alternativa que utiliza os submódulos desse protocolo para permitir a configuração de parâmetros de alguns dispositivos, da própria Turck e do seu principal parceiro, a Banner.



Assim concluímos um resumo do nível 2 de integração de dispositivos IO-Link. Vimos como é possível, através de Softwares, verificar e parametrizar estes dispositivos de maneira que, quando sejam substituídos, nenhuma configuração manual precisará ser feita. Restam agora as seguintes perguntas:
  • E se eu quiser acompanhar o diagnóstico do dispositivo em tempo real (temperatura, carga, vida útil, tempo em operação) ?
  • E se eu quiser contar quantas trocas de dispositivos são feitas em cada posição (para poder, por exemplo, saber qual o posição que mais troca, ou qual a marca de dispositivo que mais quebra) ?
  • E se eu precisar configurar um parâmetro em tempo real, para atender as necessidades da minha aplicação (Indústria 4.0, customização a preço de grandes lotes)?

Estas e outras respostas estarão no artigo "IO-Link | O que é e para que serve | Parte 3"